“O céu é o limite”

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No domingo do dia dos pais nos reunimos na casa do Rodrigo, meu primogênito, que a maioria já deve conhecer, porque falo muito dos filhos por aqui. E, nesse encontro, onde estavam pessoas animadas, engraçadas, inteligentes  e muito estilosas, tive alguns momentos de reflexão que acabei carregando comigo.

Há bem pouco tempo,  eu diria até que eram pessoas fora do padrão que estamos acostumados, mas o mundo está mudando rapidamente, e cabelos rosas, azuis ou roxos,  tatuagens e piercing já não assustam nem marginalizam ninguém como antigamente. Humm… Pode ser que eu tenha exagerado aqui no meu otimismo. Vou melhorar a frase:  talvez, apenas, não incomodem tanto quanto incomodavam antigamente.

Conversa vai, conversa vem, comentamos sobre a nova tatuagem que vou fazer, em homenagem a minha mais nova netinha, a linda Luna. Acabei falando então que, se eu tivesse nascido neste século, provavelmente teria dado muito trabalho aos meus pais em relação a tatuagens, porque amo de paixão.

Foi então que ouvi de uma das minhas noras, a Letícia, que estava promovendo o encontro junto com sua família, o seguinte:

– Quando é que você vai “fechar esse braço?

Ela se referia a tatuá-lo ao ponto de não aparecer pele sem desenho.

Tentei argumentar que não tinha mais idade para isso. Mas o assunto não parou por aí, como eu imaginei que aconteceria. Então ela completou:

– Porque não agora, já que gosta tanto?  Você não depende da aparência pra mais nada. Nem para conseguir emprego. Agora  é a hora, Sandrine.  “O céu é o limite”.

Tudo bem gente, podem ficar descansados. Principalmente você marido e você também mommy. Porque não pretendo fechar nenhum braço. Apenas fazer mais uma tatuagem aqui e outra ali. Mas, voltando ao assunto,  a expressão ficou cravada em minha mente.

Pensei então muito, mas muito mesmo em tantas coisas que nos prendem,  nos algemam não deixando que sigamos a vida sem se incomodar tanto assim com o que as pessoas pensam.

Claro que não estou falando aqui em nada irresponsável. Temos mesmo muitos compromissos com as pessoas que nos cercam e com a própria sociedade a nível de uma melhor convivência. Mas, tirando o essencial, para termos uma vida harmoniosa, o que nos inibe tanto? Ainda mais quando a vida chega a um patamar, onde a minha chegou hoje em dia – filhos criados, quase aposentada, vida bem resolvida – Nesse estagio da vida, nada deveria mesmo impedir de se fazer o que gosta. E claro, não estou falando aqui simplesmente de tatuagem.

O que realmente falta para alcançamos aquele estado de espírito onde a pessoa se sente totalmente livre?

E por que algumas pessoas conseguem isso bem mais cedo?

Não estou surtando ou tendo uma crise existencial, nada disso. Apenas conjecturando mais nessa fase da minha vida. E chego a conclusão que, por mais que minha criação tenha sido rígida ou minhas convicções religiosas (que pra mim são inquestionáveis) tenham me moldado, eu cresci, estudei, me informei, formei… Do que adianta obter tanto conhecimento se você não o consegue reverter em liberdade? E, no fundo, tudo não deveria levar-nos a isso? Religião, família, estudo… não deveriam ser os verdadeiros canais de libertação?

Na verdade essa conversa só veio de encontro com o que já venho pensando ultimamente. “Menos é mais”. A vida encarada com simplicidade liberta. E mais alguns clichês como “o que não tem remédio remediado está”. Ou ainda “Não há mal que sempre dure”. “Todo beco escuro tem uma saída secreta” e por fim “basta cada dia o seu mal”. E em não se tratando de doença, que paralisa não só as pessoas como os que estão em volta, vamos de mais um clichê – “A vida é mesmo efêmera”. Então, por que complicamos tanto?

Será que essa geração, que tanto reclamamos de ser desorganizada, bagunceira, não é simplesmente menos presa aos padrões que estamos acostumados e que na verdade escravizam?

E foi assim que terminei aquela noite, pensado em alcançar o “nirvana”.

Foi então que me lembrei dessa foto acima, que copiei e compartilhei um tempo atrás. Porque, de alguma forma, essa imagem me pareceu ser de uma pessoa descomplicada, dona do seu nariz, livre. Pode ser que eu esteja enganada, que seja apenas cultural, coisas da região onde ela mora. Ou não. Vai saber, já que não obtive a fonte da foto. Mas o fato é que essa senhora, de alguma forma, misturada com aquela conversa,  me fez pensar se algum dia eu teria esse grau de liberdade que ela acabou transmitindo.

Boa semana

“Por trás de uma pãe existe sempre uma mãe sobrecarregada”

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Passeando pelas redes sociais deparei-me com um programa de entrevista – Conversa com Bial – e imediatamente fiquei interessada em ouvir os entrevistados, principalmente por que sou fã do Marcos Piangers – autor do livro – Papai é Pop. Então fui conferir.

Além dele, ainda foram entrevistados o ator Cauã Reymond  e a Youtuber Helen Ramos, que tem o canal Helmother.

Quanto ao Bial, sempre achei que ele deveria estar em um programa assim. Ele é ótimo no que faz. Sempre. Conduz as entrevistas sem interromper os entrevistados. Leve, competente e sempre com aquele jeito de colocar suas opiniões poeticamente.

O autor Cauã Reymond foi um foto, aliás, ele é uma graça, né gente? Como dizia, ele encantou a plateia contando suas experiência com a sua filhotinha Sofia. Ainda falou bastante sobre morar perto da mãe da criança, quando se tem guarda compartilhada, e do diálogo entre os pais. Contou que o bom relacionamento entre eles ajuda, já que os dois são atores e, por isso mesmo, possuem agendas difíceis, e constantemente um tem que quebrar o galho do outro. Frisou bastante também sobre o aproveitamento máximo do tempo quando está com a sua filhota.

O escritor Marcos Piangers dispensa comentários. Fala com uma clareza de ideias que dá vontade de sentar ao lado dele para bater um papo. E ainda tem aquele jeitinho espirituoso, solta umas piadinhas inteligentes que levam a todos a sorrisos largos e gostosos. Adoro suas palestras!!! Quanto ao livro, todos os papais da família vão receber um no domingo, então não preciso falar mais nada. Hum…. Tomara que eles não passem por aqui antes disso.

Papo vai, papo vem, tudo muito interessante por sinal, diálogos ricos, trocas de experiências e tudo o mais… Então, no meio disso tudo escutei  da linda e inteligente Helen Ramos, que foi acrescentada ao grupo um pouquinho mais para o final, a melhor definição que já havia ouvido sobre o termo pãe (que por sinal eu detesto, e, pelo jeito, ela também):

– Por trás de cada pãe existe uma mãe sobrecarregada.

Achei a colocação brilhante!!! Tanto que fiquei inspirada em escrever este pequeno post.

Posso falar de carteirinha sobre o assunto, já que criei dois filhos praticamente sozinha. E afirmo com bastante clareza que, subtraindo as catástrofes da vida, que podem ser inúmeras, que retiram um pai de cena, filho sempre será um projeto a dois. Se você que é pai ou mãe, e não estiver fazendo o seu papel, estará sempre sobrecarregando alguém. Pode acreditar plenamente nisso.

E não adianta achar que a outra pessoa dará conta do recado. Não, ela não dará. Será apenas o pai, ou a mãe. O seu papel ficará em branco e um dia a vida dará um jeito de cobrar essa conta.

E graças a Deus que as coisas estão mudando. Meus dois filhos, que  vivem um momento de paternidade: Rodrigo, meu primogênito pai da Luna com apenas 5 meses, e Rômulo pai da Sofia com quase 3 anos, já encaram esse momento de uma forma bem diferente da que encaravam nossos pais, ou mesmo seus pais. Outro dia, com a Luna aqui, Rodrigo levantou para ir trocar a fraldinha dela. E eu, cá com os meus ranços, exclamei:

– Filho, você ajuda bastante, né?

E a resposta que ganhei me deixou até meio sem graça, visto me considerar uma pessoas um pouquinho antenada:

– Que ajuda o que mãe. Esse é o meu papel também. Minha responsabilidade.

Nada como aprender com os filhos. Essa gafe, com certeza não cometerei jamais.

Com o Rômulo não foi diferente. Cuidou do umbigo, deu os primeiros banhos. Fiquei toda orgulhosa, mesmo com minha mentalidade ainda meio tacanha.

E esse deveria ser o lugar comum de todos os pais.

Então, se ainda for tempo, reconsidere. Volte. Participe. Erre. Aprenda e seja responsável pelo que você gerou.

Depois disso, só me resta então desejar  – Um feliz dia dos pais!!! –  Para todos os papais de verdade. E aqui eu incluo meu marido Alexandre, o pai da Duda, que me deu uma visão totalmente diferente do que é ser verdadeiramente um pai. Quando nos conhecemos, a Duda tinha apenas 6 anos.Foi com  ele que ouvi pela  primeira vez o termo m guarda compartilhada. Isso há mais ou menos 13 anos atrás. Ele encarou um desafio e tanto.

Ainda neste pequeno texto, compartilho aqui um gostinho de saudade que a ausência do meu pai tem causado.  Muitas saudades de você, papai!!!!

E também a certeza de que não fui pãe, portanto, não me parabenizem no domingo. No máximo fui uma boa mãe, mas, quanto a  isso, também tenho minhas dúvidas, qual mãe que não tem?

E, para aqueles que estão se virando sozinhos, sabe-se lá Deus como, que fique o consolo em saber que, por mais piegas ou clichê o que vou escrever agora, não deixa de ser fato que a vida não é justa, mas colhemos sempre o que plantamos. Então continue plantando. Dando o seu melhor. Porque no futuro, e esse futuro está bem próximo já que a vida passa num piscar de olhos, essa será sua melhor safra e você terá um tesouro a desfrutar.

Boa semana a todos.

Sempre elas

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Tenho algumas certezas, e uma delas é que família, mesmo com todos os problemas, é um dos bens mais preciosos que temos. Por isso mesmo, dela eu não abro mão.

Venho de uma família que hoje é considerada grande: pai, mãe e quatro filhos. Mas, naquela época, era mediana, visto que encontrávamos muitas pessoas com seis, oito ou mais filhos. Eu mesma havia planejado ter cinco, mas as circunstâncias da vida me levaram a ter apenas dois (que pena!!!).

E dentro dessa família estávamos nós, as três irmãs. No início, pela minha aproximação de idade com a primogênita Cida (apenas 11 meses), ela se tornara, além de minha melhor amiga, minha protetora. Com o tempo, 5 anos podem fazer muita diferença na infância e adolescência, mas, depois dos 18, esses anos se dissolvem e a caçulinha, nossa princesinha, se juntou à dupla e nos tornamos um trio inseparável.

Durante todo esse tempo, mesmo que em famílias agora separadas (cada uma agora tem seu próprio núcleo), nunca deixamos de nos alegrar com as vitórias umas das outras ou de nos acolher em momentos de maior pesar.

Sei bem que, se hoje sou o que sou, se já cheguei a algum lugar, devo muito a elas. Ninguém mais do que eu, no meio desse trio, precisou tanto da ajuda delas por ter ficado sozinha para criar dois meninos, na maior parte do tempo. Pois, quando me separei, meu filho mais novo ainda iria completar três anos.

Elas foram ombro, algumas vezes sustento, alegria, choraram minhas dores e fizeram com que eu acreditasse que conseguiria, que superaria, que havia um caminho melhor para eu trilhar se não desistisse. E elas estavam certas.

Não consigo mensurar as vezes que pedi socorro, que fiz drama (sou dramática mesmo) e elas me carregaram no colo.

Tenho por elas um carinho e uma gratidão imensa por nunca terem se cansado e desistido de mim. E, se hoje sei ser amiga de muitas pessoas, foram elas que me ensinaram, pois, nunca, mesmo em momentos onde não estávamos bem, nunca mesmo, me deixaram na mão. A birra ficava de lado e elas vinham de onde estivessem para conversar, ajudar e fazer com que eu me sentisse muito melhor e tivesse forças para continuar.

E que fique registrado que minha mãe teve muita participação nisso, porque sempre nos ensinou assim. E, hoje, quando olho para trás e relembro algumas passagens da minha vida, elas estão sempre lá. E estão hoje ainda, e sei que estarão enquanto eu viver. E este sentimento de que você não está sozinha, aconteça o que acontecer, é algo tão maravilhoso que, muitas vezes, não damos o valor necessário.

Hoje somos assim com nossos filhos e sobrinhos, pois essa lição de irmandade é para a vida toda, e procuramos passar para eles esses valores, para que sempre estejam dispostos a cuidar daqueles que nos são caros.

Cida e Zeila, o que seria de mim sem vocês? Este post é para falar da minha gratidão por serem pessoas tão especiais em minha vida. Que possamos continuar a nos encontrar ainda por muitos e muitos anos. E que esses encontros sejam mais para compartilhar alegrias que tristezas, e que fique na lembrança de todos que nos conhecem que podemos nos tornar invencíveis se tivermos por perto pessoas que nos amam e nos conduzem por caminhos melhores quando nossa mente está turva e não consegue enxergar.

Muito bom ter vocês ao meu lado, tornando minha jornada, além de mais fácil, mais rica e brilhante.

Só me resta mesmo agradecer. Muito obrigada queridas irmãs.

Estou trocando o dia das mães, dos namorados… pelos outros 364 dias do ano!!!!

por-que-seu-posto-de-combustivel-deve-ter-presenca-nas-redes-sociais-8385-770x400Estranho eu querer falar sobre isso, principalmente porque sou uma pessoa movida a datas. Adoro comemorar aniversário, páscoa, réveillon, entrada do inverno, chegada do verão e se bobear até o dia do índio. Sou festeira por natureza, meu marido que o diga.

Minha data preferida do ano é o Natal, pelo significado em si e porque conseguimos reunir toda a família. Em seguida vem o meu aniversário que está ali juntinho, não só no calendário como também em importância. Então, por que essa rebeldia, essa troca aparentemente insana?

Porque, cada dia mais, tenho tido a real noção da celebração diária.

Do que me adiantaria um dia das mães com presentes, presença, se o resto do ano eu vivesse só, sem nenhuma demonstração de cuidado?

E que presente do dia dos namorados poderia ser tão importante a ponto de apagar os desafetos diário?

Celebrar é muito bom, ora se é!!! Mas tem que ser mais, muito mais uma coroação do cotidiano do que um mero ritual.

Encha a pessoa que você ama de elogios, atenção e carinho. Perca tempo com conversas, fale bastante, mas ouça muito também. E, no meio disso tudo, é permitido jogar conversa fora, falar besteira e dar muitas gargalhadas. Mas, acima de tudo, demonstre, mesmo que em meio a discussões calorosas, que o respeito existe e não será quebrado, porque respeito é inegociável.

O amor anda de mãos dadas com a tolerância, e, para ser feliz, não precisamos mudar o outro, talvez, só mudarmos a nós mesmos.

Seja generoso com quem está a seu lado e, mais que isso, não seja ingrato. A ingratidão é um dos piores defeitos, o pior, acho que é a mentira. E acima de tudo não semeie a discórdia porque muitas outras pessoas já se encarregarão disso.

Então, nessas datas especiais, poderemos comemorar, sim, mas estaremos apenas separando um dia para lembrar como foram bons e especiais todos os outros 364 dias.

Bora ser feliz?

E se perguntarem sobre a minha infância?

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Outro dia, em um desses encontros maravilhosos com uma amiga, nesse caso a Regina Helena Salgado, em certo momento, resolvemos lavar a alma com nossas lembranças. Foi então que veio a minha mente uma frase que havia lido em um livro, do qual não me lembro o autor ou autora, e resolvi usá-la, por achar apropriada. Ela dizia mais ou menos o seguinte:

“A infância é uma faca afiada, enfiada na garganta, de difícil retirada. ”

A partir daí, traçamos vários outros comentários sobre alguns episódios de amigos, que havíamos presenciado na nossa infância, e falamos, principalmente, sobre o que nós mesmas havíamos vivido.

Depois de muita conversa, fiquei pensativa e afirmei para minha amiga o seguinte:

– Se me perguntassem sobre a minha infância, diria apenas que fui feliz.

Temos mesmo a tendência de reter o que é ruim, tanto que precisamos, muitas vezes, de análise para reverter essas memórias. As coisas boas se vão com facilidade, precisando de exercícios para serem lembradas constantemente, porque não são elas que retornam a nossa mente com tanta frequência quanto deveriam. São as ruins que se estabelecem causando danos, muitas vezes irreparáveis.

E foi, por isso mesmo, por não lembrar de nada ruim, que tive a certeza de que minha infância foi maravilhosa!!! Com muitas brincadeiras, aprendizados, amizades e, acima de tudo, muito amor.

Tive de tudo que uma criança precisa para crescer saudável: um lar, comida, escola e uma mãe que conversava bastante com os filhos. Éramos quatro, e muitas vezes nos bastávamos, não precisando muito de outras companhias. Mas elas existiam. E brincávamos na rua, nas árvores, no quarto, em todos os locais onde era permitido. Além disso, ainda tivemos um clubinho da Luluzinha (onde meninos não podiam entrar), casinha no quintal e uma atrás do guarda-roupa para os dias chuvosos. Foram tempos de muitas alegrias.

E, continuando a conversa, andando um pouco mais pelas memórias, soube de imediato que minha adolescência também não fora traumática, muito pelo contrário. Não fui uma adolescente bonita, não mesmo, vejo isso nas fotos, mas eu tinha uma alegria interior (minha marca registrada) que contagiava quem estava a minha volta. Não sabia o que era mau humor e muito menos tristeza.  Sempre fui muito intensa em tudo (vocês devem estar percebendo isso com essa minha atual fase de avó), e ser bonita, para mim, não importava muito, porque todas as minhas energias estavam voltadas para o meu dia a dia e minha vontade enorme de viver. Roupas também não eram importantes. A época ajudava nisso, por não ser um período de muito consumo. Eu era feliz com poucas peças que eram repetidas sem nenhum constrangimento. A felicidade era quase palpável e não esteve em nenhum momento em coisas que pudesse comprar e, sim, nas brincadeiras, amizades e no amor que recebia de todos. Ah, e também em um jogo de ping pong, quase todas as noites em uma quadra de uma Igreja presbiteriana. Momentos preciosos que geraram amizades que atravessaram décadas e que carrego comigo em um lugar muito profundo no meu coração.

Na minha juventude, quando me achava adulta, por já cursar faculdade e trabalhar, foi quando algumas coisas começaram a incomodar bastante, mas nada era grave, embora na época não pensasse assim.

Mas foi mesmo na fase em que eu realmente me tornei adulta que tive meus maiores embates com a tristeza e solidão. Quando já não me reconheciam mais como a menina de sorriso largo, como uma pessoa feliz. Foram momento duros, de extremo aprendizado, que ficaram cravados a ferro e fogo na minha alma, e por isso mesmo de difícil retirada.

O mais triste de tudo foi que esses momentos duros não foram causados pelos outros, mas pelas escolhas equivocadas que fiz e também a importância que dei a fatos  que não mereciam. E, por ter me traído,  acreditando estar em outras pessoas a chave para a minha felicidade. Não havia aprendido até então, talvez por ter sido tão feliz antes, que a verdadeira felicidade é um estado de espírito e só depende de nós mesmo.

Voltando ao tópico, vejo que crianças precisam de pouco para que a felicidade seja alcançada. Pena que, na atual circunstância que vivemos, onde o ter é mais importante que o ser, ninguém mais se dá conta disso.

Estão todos correndo muuuito, brigando mais ainda e deixando passar as coisas mais importantes da vida, que é a convivência saudável e harmoniosa com os pequeninos. Perder tempo com eles é um ganho incomensurável para ambas as partes.

Quando somos avós, temos uma percepção maior disso, e muitas vezes sentimos uma pontada de amargura pelo tempo que desperdiçamos no passado. Talvez, por isso, tenhamos tanta disponibilidade para os nossos netos, porque queremos deixar neles a marca de que o amor e a convivência com quem amamos é que farão toda a diferença em nossas vidas.

Aprender a ser feliz consigo mesmo é tão importante que deveria ser ensinado, desde a mais tenra idade, de uma maneira mais eficaz. Assim, não sofreríamos tanto com as atitudes dos outros e aprenderíamos a jogar nossas expectativas em nós mesmos. O nosso dia a dia, salvo em algumas tragédias, queiramos ou não, será sempre, sem sombra de dúvidas, o que vamos determinar que sejam.

Já que estamos falando em infância e no que é relevante ou não, amizades sinceras também devem ser cultivadas desde cedo. E, se isso não for possível, que venham em qualquer tempo e que sejam bem-vindas e intensas. Com as amizades sinceras poderemos aprender mais, dividir e ter tardes maravilhosas como a que tive com minha querida amiga Regina.

Para concluir, como se sabe, “quem encontra um amigo encontra um tesouro”. Então desfrute desse bem  de todas as maneiras possíveis. Arrume tempo para isso, porque ele, o tempo,  é um vilão  implacável. E, se não nos dermos conta do desperdício, de que vale todo o tempo do mundo?

Um certo dia resolvi mudar

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Não sei dizer se as verdadeiras mudanças são aquelas que acontecem vagarosamente, mudamos um pouco a cada dia, ou são as que vem de uma vez só, um dia você era de um jeito e, no outro, totalmente diferente. Ou de ambas as formas.

Já tive mudanças drásticas, e também algumas programadas.

As drásticas foram, na maioria, sofridas. Eu não tinha outra opção a não ser mudar. Foram eficazes? Sim, mas nem sempre gostei do resultado e, algumas vezes,  lutei para voltar a ser o que era antes,  mas foi impossível. Algumas coisas haviam morrido dentro de mim e a outra  tomado seu lugar. Tive que aprender a conviver e fazer o melhor com o que havia me tornado.

Outras mudanças foram programadas. Essas, embora também necessárias,  causaram menos sofrimento,  o que não significa terem sido fáceis. Só tive mais tempo para me acostumar ou me moldar a elas.

Falando em mudanças me dei conta que conheço pessoas tão estáveis que até a mudança de cabelo não ocorre há anos. E também outras que deixei de reconhecer, tamanha a instabilidade. Difícil mesmo achar o equilíbrio, mesmo nas mudanças. Os anos ajudam um pouco nesse quesito, mas idade não é sinônimo de sabedoria, não mesmo. Ainda mais se você não se deixar aprender com a vida. Ninguém evolui achando-se dono da verdade. É preciso querer estar em evolução para não estagnar. Então, na verdade, a idade ajuda quem se deixar transformar.

Estou novamente em um momento de mudanças, e só não digo que são profundas porque não estão relacionadas a alma e sim a comportamentos. Mas posso afirmar que são vitais para que e tenha uma vida melhor.

Ainda bem que resolvi mudar mais uma vez, e essa mudança, mesmo que programada, requer muita disciplina, dedicação, força de vontade e principalmente, uma dose diária de meditação para cravar na mente o resultado que  quero alcançar.

Com o mundo em constante evolução, fica muito complicado não mudar, porque aos poucos vai ficando difícil até se relacionar. Mas guardar um pouquinho do que é bom dos tempos antigos não faz mal a ninguém. não é mesmo? E é por isso que precisamos estar atentos para não abrir mão, em prol do desenvolvimento, daquilo que é extremamente saudável.

Por exemplo: sempre adorei ler, e sempre li muito. Com as redes sociais acabei quase deixando de lado esse hábito de ler romances, ficando apenas com a leitura que vinha de documentários, crônicas e outras coisas mais. Até andei questionando se valeria a pena lançar outro livro. Mas andei me cansando de tantos grupos que repetem a mesma coisa, porque é um circulo, e acabamos recebendo a mesma mensagem em diversos grupos. Então abri mão de alguns vários e voltei a leitura. E, coincidentemente li um artigo que falava sobre o retorno a leitura, o que me deixou bastante empolgada. Então, isto é algo do passado que se deve preservar, mesmo que a leitura seja feita em um tablete ou algo parecido.

Hoje estou mudando minha vida para me tornar uma pessoa mais saudável, quanto a corpo e mente. Tenho me empenhado bastante e já vejo alguns resultados. É claro que no processo acontecem algumas recaídas, faz parte. Afinal foram anos e anos sem se preocupar com isso. Ou me preocupando de forma errada, despretensiosamente. Mas, nesse novo objetivo, na maioria do tempo tenho me mantido estável e caminhado  de forma tímida, mas indo sempre adiante.

E isso me levou a acreditar que:

Primeiro, se vc quer mudar, e isso não for imposto por uma tragédia da vida, marque uma data e comece imediatamente. De preferência ontem.

Segundo, trace metas, isso é muito importante porque te dá um foco.

Terceiro, dependendo da mudança abuse da ajuda de especialistas. As vezes não conseguimos mudar sozinhos.

E por ultimo, conte para alguém de sua confiança, porque essa pessoa vai perguntar como você está indo e vai te fazer ter um compromisso em continuar a caminhada.

E ainda sobre o assunto, sempre vai existir um projeto novo para sua vida, independente da idade. Portanto, não se acomode, porque a vida é movimento e morre um pouco a cada dia quem para em algum ponto e não consegue vislumbrar uma vida cheia de objetivos a sua frente.

Boa semana

 

INTENSIDADE

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A vida que levamos aqui não costuma ser muito fácil. Mas ela pode ser amenizada, se logo cedo aprendermos algumas coisas que são essenciais.

Se me perguntassem, por exemplo, algumas palavras imprescindíveis, que deveríamos aprender o quanto antes, eu responderia –  “amor”, “gratidão” e outras. Mas, entre elas, certamente, incluiria “intensidade”.

No dicionário, encontramos várias definições para intensidade, mas gosto mais de – excesso; abundância; que se manifesta ou se faz sentir com força, com vigor.

Então, sendo “intensidade” uma palavra tão forte, chego a pensar que, quanto mais cedo aprendermos a fazer uso dela,  a vida fará muito mais sentido.

Deixe que os filhos brinquem com intensidade, inventem, reinventem, cantem, rolem. Seja uma mãe intensa também e mergulhe na maternidade, esse momento completo, doido, cheio de lições diárias, que te tira a alma, mas que vale mais do que sua própria vida. E, pais, deixem-se também contaminar por esse momento espetacular  que a vida oferta.

Ame, namore, entregue-se também com intensidade. E, se não der certo, chore até quase se afogar nas mágoas.  Mas, ao se levantar, e que seja o mais rápido possível, dê a volta por cima intensamente.

Coma com prazer, sem culpa, mas escolha bem seus alimentos, eles lhe darão uma sobrevida ou uma sobrecarga.

Exercite-se sempre. Dance, caminhe e vá ver o pôr do sol sempre que puder. O nascer do sol é para poucos, mas o pôr do sol, ah, o pôr do sol é para todos e, no verão, deveria ser um ritual diário.

Faça tudo com muito esmero, capricho e dedicação, e se entregue aos prazeres da vida. Mas faça por merecer. Tudo que conquistamos tem mesmo um sabor extraordinário.

Não sinta medo de novos desafios, por maiores que sejam. E, os pequenos, conquiste-os como se fossem os melhores do mundo. Tudo que fazemos com amor costuma florescer.

E, se tudo começar a dar errado, dê-se um tempo, vá a um lugar bonito e agradeça intensamente por tudo que você é. E, se ainda não se sentir tão bem, mergulhe em um mar, tome um banho de chuva, ou mesmo de chuveiro, daqueles demorados, onde nos batizamos para uma nova vida.

Seja bem-humorado, não permita que te contaminem com coisas ou palavras mesquinhas e dê sentido a tudo que você faz. Porque, se não faz sentido, provavelmente você não precisa fazer.

Saiba que a vida passa rápido, ela é intensa e tem pressa. E, se você não tomar cuidado em viver cada minuto com a mesma intensidade que ela passa, terá desperdiçado a maior parte dela.

E, por fim, envelheça com dignidade. Como todas as coisas, envelhecer tem seu lado ruim, mas tem muita coisa boa também. Então, vá atrás dos tesouros da vida madura. Aproveite os netos, viaje, promova encontros. Conte muitas histórias, mas não esqueça de continuar aprendendo. Não se torne tão saudosista a ponto de não conseguir suportar o presente. E, os jovens, eles nos transferem vida de vez em quando, então deixe que os filhos também te ensinem, pois isso rejuvenesce sempre.

Enfim, seja intensamente generoso, porque a colheita do que plantamos é sempre certa, e o exemplo é a melhor herança que podemos deixar.

É. Intensidade é quase um sentimento que é pouco praticado, porque poucos conhecem sua força extraordinária.

Mordaça

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http://www.vozdascomunidades.com.br/

Segundo o dicionário, mordaça é:

Pano ou objeto qualquer que se põe na boca para impedir de gritar.

Pois bem. Esta semana, ao pegar um carro, desses que faz serviço de chofer particular, o motorista, um senhor que aparentava mais ou menos 65 anos, recebeu-me com uma caneta atravessada na boca.

Após cumprimenta-lo, verificar a placa e perguntar o seu nome (faço mesmo essas três coisas antes de entrar), ele retirou a caneta da boca, respondeu-me, perguntou ainda se eu gostaria de uma água e acrescentou que havia balas nas laterais da porta. Depois dessas perguntas básicas, e de constatar que eu estava confortável para começarmos a viagem, ele virou-se para a frente e voltou a colocar a caneta na boca.

Passados uns cinco minutos, incomodada e enxerida do jeito que sou, ou mesmo achando que ele havia atravessado a caneta para posteriormente fazer alguma anotação, e que a tivesse esquecido ali (se é que isso é possível), perguntei se a caneta não o incomodava.

Então, vagarosamente, retirou o objeto da boca respondeu:

– Minha senhora, sou uma pessoa meio descontrolada e essa caneta serve para mim como uma mordaça. O trânsito anda insuportável, as pessoas não tem mais educação e, como costumo xingar e reclamar muito, uso a caneta quando entra um cliente e ela me lembra que preciso me controlar.

Ri um pouco da resposta dele e começamos a conversar. Ele me contou algumas façanhas do trânsito e eu acrescentei que havia abandonado a ideia de dirigir pela cidade, por não achar mais o carro, para quem dirige, uma opção tranquila para se chegar a algum lugar. Expliquei que, além do medo que me assolava todas as vezes que parava em um sinal ou mesmo quando o trânsito estava mais lento, ainda havia o problema dos escassos estacionamentos, que me faziam parar longe do local pretendido, obrigando-me a caminhadas em horas inoportunas, muitas vezes com sapatos para lá de inapropriados.

Então ele falou mais um pouco do seu dia e acrescentou que aquele serviço era um “bico”, que estava aposentado e dirigia para completar a renda e não ficar entediado enchendo a cabeça da esposa e de outras pessoas em casa. Mas que não trabalhava todos os dias, aquela era sua última viagem da semana, era uma quinta feira. Que, após me deixar no lugar que eu desejava, iria para casa, tomaria umas cervejas, fumaria um baseado (não sei se a ordem era essa) e iria começar a curtir seu fim de semana.

Chegando ao destino, despedimo-nos e ele continuou sua viagem, sem a sua mordaça, imagino eu.

Já em casa, após tomar banho e esparramar-me no sofá para relaxar, ler alguma coisa ou mesmo não fazer nada, não tive como não pensar naquele motorista. E cheguei à conclusão de que ele era um homem sábio.

Quantas pessoas não resolveriam grande parte dos seus problemas se arrumassem uma mordaça? E, no final das contas, ele não vivia amordaçado, ele só a usava quando necessário.

Tem horas que gostaríamos mesmo de esbravejar com algumas pessoas, mas, quando o fazemos, ficamos mal, porque aquilo não resolve nada. É fato que certas pessoas serão eternamente aquilo que escolheram, e, às vezes, tenho a impressão que não há alteração no mundo que as faça mudar de ideia, muito menos nosso descontrole. Por outro lado, não é essa a forma que conseguimos resolver conflitos…. Se não forem com diálogos, dificilmente serão resolvidos de outra maneira.

Outra situação sábia foi de como encarou sua aposentadoria.  Na verdade, havia “matado dois coelhos com uma cajadada só”. Ao optar por fazer um “bico”, como ele havia intitulado seu trabalho de motorista, não só ajudara na sua injusta aposentadoria,  como também resolvera seu problema de ociosidade em casa. Uma pessoa ativa que se aposenta é sempre um grande problema em casa. Por isso, todo mundo deveria pensar em um plano-B, que poderia ser uma atividade, um “hobby”, trabalho voluntário e ir traçando os planos antes da aposentadoria chegar, para que a mudança não seja tão drástica.

Fazendo um paralelo com meus dias, encontrei em mim algumas mordaças, que acho que as fui adquirindo com a idade. Não entro mais em discussões frívolas, não mesmo. Defendo minhas causas quase que silenciosamente, mas as defendo. E, se discordam, embora não abaixe a cabeça ou deixe de tentar mostrar os fundamentos das minhas escolhas, não confronto diretamente. Principalmente se o assunto for política e religião, os mais polêmicos eternamente.

Quanto à aposentadoria, escrever já é um plano que pratico desde sempre e para o qual gostaria de ter mais tempo. Então a aposentadoria só ajudará. Em momento nenhum, no quesito tempo disponível, será um problema. Também pretendo viajar mais.  Talvez precise, sim, completar renda, já que sou muito independente, mas, para isso, também já tenho algumas ideias.

E foi assim que, em um dia comum quando eu voltava do trabalho, esse senhor me deixou algumas mensagens. E para os que são contra qualquer tipo de vício, como eu, não vamos nos deter ao fato citado acima, que ele iria fumar seu baseado. Afinal, eu poderia ter omitido aqui, mas fiz questão de não, para que possamos ver as pessoas como elas realmente são, por inteiro. Com ou sem o baseado, ele é uma pessoa interessante.

O que nós, mães, realmente queremos?

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Depois de um pequeno período de férias,  ao retornar à escola de música Villa Lobos, não resistindo ao cheirinho de café, dirigi-me até a cantina para esperar o horário da aula.

Ao parar no balcão de atendimento – só eu estava ali, visto ser uma área aberta em um dia nublado – encontrei uma mãe em uma calorosa discussão com seu filho que aparentava uns 19 anos.

Quando me viram parada de frente para eles, recuaram  do assunto e perguntaram o que eu desejava. Mas o filho, que não estava muito satisfeito com a proza, ainda soltou alguma coisa sobre o suposto duelo que estavam travando:

– Por que você quer saber disso?

E  ela prontamente respondeu:

– Porque eu sou mãe. Só por isso. E ponto final.

Ele olhou para mim, virando os olhos em reprovação ao que a mãe havia dito, tentando ver se conseguiria tirar algum apoio. E eu, que não queria mesmo me meter em desavenças alheias, coloquei no rosto o melhor sorriso que era possível, para quebrar o climão, e disse:

– Êita!!! Não me olha assim não. Tá olhando para pessoa errada.

Ele riu e eu acrescentei:

– Vamos e venhamos, ser mãe é um bom motivo.

Rimos todos e trocamos algumas brincadeiras. Logo em seguida, desci para minha aula.

A situação não saiu da minha cabeça e  fiquei me perguntando: O que nós mães realmente queremos?

Poderia responder que são inúmeras coisas, mas, depois de uma análise mais profunda, cheguei à conclusão que não. Dentre tantas coisas, poucas são realmente importantes.

Sabemos que a maioria das mães se esmera em dar bom estudo, educação fora e dentro de casa, alimentação, vestimenta, recreação… etc e tal. Nunca medimos esforços para tornar nossos filhos pessoas melhores do que nós em todos os sentidos.

É certo que nem todos serão bem sucedidos se isso estiver ligado apenas ao enriquecimento. Também podem não ter a carreira que almejamos ou mesmo o patamar de estudo que achamos ser o melhor para eles.

Mas existe algo que todos podem ser e que deixaria qualquer mãe orgulhosa. Todas nós queremos que nossos filhos sejam “do bem”.

Meu marido costuma dizer que as pessoas são relaxadas com os mais próximos. Que a convivência, às vezes,  nos leva para caminhos obscuros, onde nos descuidamos daqueles que normalmente mais nos ajudam, se sacrificam, cuidam e nos aceitam como somos. Aliás, isto tem sido um nó em vários relacionamentos, seja ele de que tipo for.

Minha mãe também tinha uma frase muito boa para isso. Quando eu e minhas irmãs  já éramos adultas, e com namoros sérios, ela dizia que era bom observar o relacionamento dos pretendentes com seus pais. Porque “bom filho, bom marido”. Acho que eu devia ter prestado mais atenção nisso.

Mas aonde quero chegar com tudo isso? Ao ponto onde mais importa na formação de um modo geral.

Seu filho será sempre uma pessoa de sucesso, independente da carreira que abraçar, do estudo que galgar ou do dinheiro que acumular, se souber tratar bem as pessoas à sua volta e principalmente as que estão ao seu lado.

Se não for assim, se ele se tornar uma pessoa arrogante, dono da verdade e intolerante, uma mãe sentirá, sem sombra de dúvida, que parte do seu trabalho foi em vão.

É certo que nem tudo é preto no branco como parece.  Um julgamento precipitado pode nos dar um diagnóstico errado, onde tudo parece estar perdido. Mas com um olhar mais profundo conseguimos ver que algumas pessoas só estão perdidas porque pegaram um atalho.

E que atalho seria esse? O da transformação por associação com pessoas erradas, descontroladas,  que não conseguem extrair do outro o  que ele tem de melhor, muito pelo contrário, levando-o à destruição. Em se tratando dessa caminhada, pode-se adquirir vícios  que são tão difíceis, dolorosos, e muitas vezes encobertos, que não são detectados, a não ser por especialistas.  E, por isso mesmo, não são vencidos, podendo levar uma pessoa, aparentemente forte, à morte em vida.

E, por mais que não queiramos ver ou aceitar, os vilões nem sempre são solitários. Talvez em outra situação poderiam até ser o mocinho. Vai saber! Já vi isso acontecer mais de uma vez. Eu mesma já fui um pouco vilã depois de pegar alguns caminhos nebulosos.  Hoje, com certeza,  não mais.

Mas, mesmo assim, seja como for, todos temos nossa parcela de culpa pelo que escolhemos ser. E isso não podemos atribuir ao outro.

E quanto aos meus filhos? Eles ainda têm um caminho de aprendizado pela frente. Muitos pontos de orgulho e outros ainda sendo trabalhados. E nada melhor do que a paternidade para ajudar nessa melhoria. E se uma neta está aí para fazer o seu papel com um deles, outra já está a caminho para  o outro.

E é por isso tudo que fiquei pensando tanto sobre o assunto. Porque, também como filha, olhei para dentro  e indaguei se era uma pessoa de sucesso. Se minha mãe sentia orgulho pelo que me tornei.

E assim eu vou seguindo,  a vida vai passando, e fica sempre a esperança de um dia poder afirmar que, se não fiz um excelente trabalho, pelo menos percorri por uma boa estrada.

“O tempo é libertador!”

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http://aterapiadealice.com/

 

Semanas atrás estive almoçando com uma amiga mais que especial. Sou de muuuuuitos amigos e, às vezes, falta tempo para alimentar amizades tão importantes. Mas sempre empenho esforços para não os perder de vista. Por isso, durante a semana em meio a correria, promovo esses encontros no almoço, jantar ou happy hour. E, como não poderia deixar de ser, pois já havia um tempo que não nos víamos, dessa vez foi com a Aninha (como gosto de chamá-la). Ela, mesmo sendo muito mais atarefada do que eu (por possuir um currículo e tanto, que não posso descrever aqui porque ela não aprovaria),  conseguiu um tempinho e foi ao meu encontro. Eu nem preciso dizer o quanto adorei!!! Talvez ela nem saiba, mas vou revelar um segredo por aqui, a Aninha é uma das minhas BF (best friends – como dizem as adolescentes por aí). E se tratando de amizade a gente vira adolescente mesmo.

Como todos os nossos encontros anteriores, foi um momento ímpar!!! Éramos felizes quando trabalhávamos na mesma escola porque fazíamos isso semanalmente.  Mas a vida leva para rumos diferentes pessoas semelhantes, o que não deixa de ser bom, porque não ficamos aprisionados. Mudar é mais que  necessário.

É sabido que amizade que é verdadeira nos acompanha, mesmo que de longe, e consegue nos alcançar principalmente nos momentos que mais precisamos. Quando há o reencontro continuamos de onde paramos sem nem perceber o hiato. Apenas atualizamos os novos planos e damos muitas  gargalhadas também, porque a vida tende a parecer uma grande piada, mesmo que em algumas partes de muito mal gosto. Mas quando falamos em piada o melhor mesmo é se deixar levar pela rizada, mesmo que ela não tenha tanta graça assim.

Conversa vai, conversa vem, falamos de tudo um pouco. Das experiências boas e das ruins que são as que mais nos ensinam.  Nos demos conta que a vida é mais passageira do que haviam nos prevenido. Essa coisa de que o tempo voa, que falamos levianamente a todo momento, é muito mais séria e intensa do que poderíamos mensurar.

Foi então que vaguei um bom tempo nos meus pensamento,  perguntando para onde haviam ido todos aqueles  anos já vividos.  Tentei buscar na memoria as horas, os minutos e segundos e não os encontrei. Talvez porque tenha ficado muito preocupada com o futuro, ou, quem sabe, focado demais com o ganha pão para alimentar minha cria. O fato era que não os encontrava. E foi então que compactuamos com a ideia de que a imaturidade era mesmo uma grande vilã. E aliviamos a alma, não cabia mais culpa.

Um assunto então se fez muito presente. Na verdade ele já havia começado antes mesmo de sentarmos no restaurante.  Foi no início de tudo, quando ainda estávamos pelas escadas rolantes do shopping Rio-Sul,  que, depois de algumas constatações preliminares, Aninha saiu com a seguinte afirmação – “O tempo é libertador”.

Começamos então a falar sobre o tal amadurecimento que traz a sonhada satisfação pessoal. Que nos leva a não precisar provar mais nada para ninguém, a não ser convencermos a nós mesmos. Porque na jornada da satisfação alheia nada foi acrescentado a nós mesmos, e isso faz parte dos desperdícios do passado.

 depois de filosofarmos” um pouco, refizemos a frase: na verdade não é o tempo que é libertador e sim envelhecer é libertador.

Claro que sentimos falta de algumas coisas da juventude, como por exemplo o tão destemido modo de viver e encarar os desafios. Quando mais experientes, e não poderia deixar de ser assim, do contrário seria imprudência, calculamos mais as consequências.  Por outro lado, a impetuosidade da juventude também pode trazer sequelas mentais ou físicas intransponíveis, que por vezes somos obrigados a levar para o resto da vida ou visitar o próprio túmulo mais cedo. Então queremos viver mesmo uma vida mais simples, pacata, mas com muito conteúdo.

Não se engane ao pensar que o simples e pacato se resume a uma casinha de sapê, o que poderia também se o ideal para alguns. Estamos falando em  ir buscar o que  faz bem, engrandece, relaxa,  faz querer prorrogar cada segundo por ser tão prazeroso.

Na maturidade o desperdício, seja lá do que for, ficou fora de moda. Queremos também viver em paz com todos, com tanto que isso não roube a nossa própria paz. Dizemos não de uma forma muito mais educada, mas mais fácil também. A companhia de alguém sempre será mais que bem vinda, mas o prazer da própria companhia virou vital.

E foi assim que chegamos ao final da tarde, jurando novos encontros mais a miúde, o que sabíamos ser falso juramento, mas no caso valia mesmo a intenção.

E fomos para casa com a alma lavada  e renovada, agradecidas por essa amizade que tanto nos faz bem.

E quanto ao tempo, brindamos o fato de estarmos mesmo envelhecendo. E se envelhecer é uma arte, embarcamos com ventos favoráveis. Estamos sentindo uma calmaria que só a reconhece as pessoas que pararam de buscar a felicidade. Pessoas que descobriram que a felicidade já se encontra dentro delas.

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Obs.: Não tive paciência de revisar, talvez eu volte aqui e mude alguma coisa. Sorry.